Por Airton Camilo – Consultor de ESG da Pro Sustent
A recente decisão do governo dos Estados Unidos de impor tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros exportados para o mercado americano pode afetar significativamente as ações ESG (ambientais, sociais e de governança) no Brasil, especialmente nos setores exportadores e em suas cadeias produtivas.
Setores como aço, alumínio, papel e celulose, além do agronegócio, todos com forte presença no mercado norte-americano, podem enfrentar queda de receitas, o que reduz sua capacidade de investir em projetos ambientais e sociais. Com menos recursos, há risco de retrocesso nos compromissos ambientais, já que a perda de competitividade internacional pode levar algumas empresas a desacelerar a adoção de práticas ambientais avançadas, como descarbonização, uso de energia renovável e combate ao desmatamento, especialmente se estas aumentam os custos de produção.
No âmbito social e de governança, a redução das exportações pode resultar em cortes de empregos, afetando diretamente a dimensão social do ESG, especialmente em regiões dependentes dos setores impactados, como o agronegócio. É comum que empresas, diante da pressão econômica, priorizem cortes na folha de pagamento. Por outro lado, essa situação pode também obrigar as empresas a adotarem maior transparência quanto aos impactos das tarifas, reforçando a importância do pilar de governança para investidores e sociedade.
Nem tudo, porém, é negativo. Para empresas que adotarem uma visão estratégica, há oportunidades ao buscar a diversificação de mercados e de parceiros internacionais. Essa abertura pode estimular a intensificação das práticas ESG para atender às exigências de mercados como União Europeia e Ásia, onde os critérios de sustentabilidade são cada vez mais rigorosos. Assim, empresas que já exportam para mercados exigentes em sustentabilidade podem ser forçadas a manter elevados padrões ESG para continuar competitivas globalmente. Ainda assim, a pressão imediata passa frequentemente por ajustes de custos.
O governo brasileiro já manifestou intenção de apoiar os setores mais afetados por meio de incentivos para preservar os padrões ESG e evitar retrocessos, incluindo suporte a projetos voltados à sustentabilidade e responsabilidade social.
Portanto, o momento exige calma e análise estratégica para que, apesar dos desafios financeiros impostos pelas tarifas americanas, o país possa promover inovação, diversificação de mercados e o fortalecimento do compromisso com padrões internacionais de sustentabilidade. Isso requer coordenação entre governo, empresas e sociedade civil.
O Brasil tem a oportunidade de se firmar como líder em sustentabilidade se mantiver e comunicar de forma transparente seus avanços ESG, mesmo diante do cenário adverso. Transparência, compromisso contínuo e comunicação clara serão decisivos para preservar e fortalecer a reputação brasileira no mercado global, retendo investidores responsáveis e atraindo novos parceiros com visão sustentável.
A Pro Sustent atua ajudando empresas a transformar ESG em resultado, com estratégias personalizadas e práticas aplicáveis ao dia a dia corporativo. Saiba mais em www.prosustent.com.